O tabloide The Pequi Lend divulga
nota sobre o mês dos professores... (trad. de Amado Cabelo):
“Os gestores da Faculdade Rio Sinuoso
de Tecnologia e Inovação, (vulgo Faculdade Cambury) localizada na cidade de
Gyn, capital dos Goyasis, no centro cismado de Pindorama, inauguraram neste mês
de outubro a mais inovadora estratégia de relações de trabalho e capitalização
de lucros. Trata-se da assimilação sistêmica do Sinpro (Sindicato dos
Professores) para substituir o tradicional sistema empregador-empregado. Os
professores da inovadora IES reuniram-se com a direção da mesma nas
dependências do Sindicato para celebrar a parceria empreendedora. Por meio da
parceria os professores DOAM parte substancial dos seus salários em troca da
manutenção dos seus empregos. A IES, questionada pela Justiça do Trabalho que
determinou o pagamento de todos os reajustes salariais aos professores das
Instituições Privadas de Ensino Superior no afamado estado da Coralina,
articulou com o Sinpro uma reunião onde foram acertados os ponteiros: para
pagar os professores a IES precisará reduzir a sua folha de pagamento; ao que
os professores, doutos, mestres, especialistas e afamados profissionais
liberais de outras áreas que adoram se autonominar ‘professor univer-citário’ (hilário!)
aceitaram prontamente – afinal, os que não precisam pagar as prestações de
classe média precisam pelo menos do status (mesmo que virtual) de ‘professor univer-citário’.
Interrogada pelo jornal, a Mantenedora (Dona, proprietária e investidora
exclusiva da IES) afirmou não haver no mundo coisa mais escalofobética,
esdrúxula e cinquentefláutica do que este tipo de gestão e que não acredita que
tal coisa possa ‘estar acontecendo’. Questionados sobre o que a direção faz com
as mensalidades que são pagas privadamente ou através de planos de
financiamentos públicos, os estudantes confirmaram nada saber ou não saberem
nada mesmo. Procurado o Movimento Estudantil, os repórteres do The Pequi Lend
não encontraram nada além de papeis com nomes de gente que certamente são
mostrados aos inspetores do Ministério da Educação quando estes se lembram de
perguntar se existe representatividade estudantil na IES privada. ‘Somos
parceiros e trato meus professores como se fossem clientes’ declarou a direção
da Rio Sinuoso ao jornalista Josef Alone na última semana. Procurados os
professores, todos confirmaram se tratar de uma negociação aberta, sem nenhum
tipo de coação por parte da empresa, e que, aliás, eles estão dispostos a
doarem o Descanso Remunerado e o tempo de preparação das aulas para a IES
garantir seus 13º salários e o peru de brinde de fim de ano”.