segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mês do Professor?


O tabloide The Pequi Lend divulga nota sobre o mês dos professores... (trad. de Amado Cabelo):

“Os gestores da Faculdade Rio Sinuoso de Tecnologia e Inovação, (vulgo Faculdade Cambury) localizada na cidade de Gyn, capital dos Goyasis, no centro cismado de Pindorama, inauguraram neste mês de outubro a mais inovadora estratégia de relações de trabalho e capitalização de lucros. Trata-se da assimilação sistêmica do Sinpro (Sindicato dos Professores) para substituir o tradicional sistema empregador-empregado. Os professores da inovadora IES reuniram-se com a direção da mesma nas dependências do Sindicato para celebrar a parceria empreendedora. Por meio da parceria os professores DOAM parte substancial dos seus salários em troca da manutenção dos seus empregos. A IES, questionada pela Justiça do Trabalho que determinou o pagamento de todos os reajustes salariais aos professores das Instituições Privadas de Ensino Superior no afamado estado da Coralina, articulou com o Sinpro uma reunião onde foram acertados os ponteiros: para pagar os professores a IES precisará reduzir a sua folha de pagamento; ao que os professores, doutos, mestres, especialistas e afamados profissionais liberais de outras áreas que adoram se autonominar ‘professor univer-citário’ (hilário!) aceitaram prontamente – afinal, os que não precisam pagar as prestações de classe média precisam pelo menos do status (mesmo que virtual) de ‘professor univer-citário’. Interrogada pelo jornal, a Mantenedora (Dona, proprietária e investidora exclusiva da IES) afirmou não haver no mundo coisa mais escalofobética, esdrúxula e cinquentefláutica do que este tipo de gestão e que não acredita que tal coisa possa ‘estar acontecendo’. Questionados sobre o que a direção faz com as mensalidades que são pagas privadamente ou através de planos de financiamentos públicos, os estudantes confirmaram nada saber ou não saberem nada mesmo. Procurado o Movimento Estudantil, os repórteres do The Pequi Lend não encontraram nada além de papeis com nomes de gente que certamente são mostrados aos inspetores do Ministério da Educação quando estes se lembram de perguntar se existe representatividade estudantil na IES privada. ‘Somos parceiros e trato meus professores como se fossem clientes’ declarou a direção da Rio Sinuoso ao jornalista Josef Alone na última semana. Procurados os professores, todos confirmaram se tratar de uma negociação aberta, sem nenhum tipo de coação por parte da empresa, e que, aliás, eles estão dispostos a doarem o Descanso Remunerado e o tempo de preparação das aulas para a IES garantir seus 13º salários e o peru de brinde de fim de ano”. 

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